Monday, 3 February 2020

FENÔMENOS DE UM MUNDO INVISÍVEL

Durante seus estudos de Filosofia na Universidade de Innsbruck na Áustria, o professor Huberto Rohden e um grupo de alunos, professores e cientistas, viajaram à cidade de Graz com a finalidade de estudarem os fenômenos paranormais realizados pelas virtudes mediúnicas de Maria Silbert, telepata, produtora de efeitos físicos e magnéticos, além de médium de incorporação, que com essas habilidades, abalou os alicerces científicos do mundo europeu.
Uma das definições possíveis de mediunidade ou percepção extra-sensorial - já que esse é um fenômeno natural do psiquismo humano - é a comunicação provinda de uma fonte que é considerada existir em um outro nível ou dimensão além da realidade física conhecida e que não tem origem na mente do médium. As vivências tidas como mediúnicas têm sido identificadas na maior parte das sociedades ao longo da história e possuem uma enorme influência direta ou indireta, sobre aqueles que as vivenciaram ou as vivenciam.
Os fenômenos paranormais presenciados por Rohden, e equipe, ocorreram no ano de 1927.
Passados quase 100 anos desses acontecimentos, a ciência do século XXI continua algemada aos conceitos das provas científicas e certificadas pelos seus órgãos de direito, nos resultados devidamente fundamentados por tubos de ensaio! Fora dessa alternativa puramente materialista, os fenômenos paranormais não passam de charlatanismo, marginalidade, fragmentação, ridicularizado como crendice, motivo de glosa, ingenuidade, absurdo, etc.
Para a vasta maioria dos científicos é mais fácil mostrar as suas habilidades no que é tangível, como em viagens intergalácticas, foguetes hipersônicos, explorar os desertos de Marte e outras aventuras do ego, do que tentar decifrar o quebra-cabeças que para eles é a realidade intangível, ou do que se passa no universo da mente humana e sobre a intuição no pensamento. E diante disso, a humanidade continua a marcar passo na evolução ascensional do espírito.
Mais recentemente, a alvorada de estudos científicos nesse campo, está despertando. Hoje em dia se fala em Neuroteologia, Neurociência da Religião, Neurociência Espiritual, que tenta explicar a experiencia e o comportamento religioso em termos neuro científicos, que é o estudo das correlações de fenômenos neurais com experiências subjetivas de espiritualidade e hipóteses para explicar esses fenômenos.
E esses experimentos tem mostrado resultados surpreendentes de alterações no comportamento do cérebro, quando uma pessoa se encontra em profundo estado de transe espiritual, mudança de nível de consciência, meditação, mediunidade. Mas ainda é o começo de um grande projeto futuro!
Quem quiser conhecer em detalhes, os acontecimentos paranormais dessas reuniões mediúnicas em Graz, leia a interessante e profunda monografia do Dr. Alois Gatterer intitulada "Der Wissenschaftliche Okkultismus Und Sein Verhaeltnis Zur Philosophie".
A transcrição abaixo, é a opinião de Rohden sobre o que ele presenciou nessas longas noites de estudos e comprovações dessas realidades objetivas.

"Não me interessa o que de mim possam dizer ou pensar os que desconhecem esses fenômenos. Mais colaboração dariam se me auxiliassem a explicar o que não sei explicar. Seria ridículo se eu, em face dessas dificuldades e obscuridades, me arrogasse o direito e a habilidade de querer explicar o inexplicável.
Assim como existe o mundo dos seres visíveis, dotados de inteligência e de livre arbítrio, existe também o mundo dos seres invisíveis com os mesmos dotes de inteligência e livre arbítrio. Com isto está aberta a porta tanto para a bondade como para a malícia moral.
A existência de espíritos bons e maus é tão real, como é real a existência de homens bons e maus. Onde principia a liberdade, principia a possibilidade do bem e do mal. Identificar esse mundo espiritual simplesmente com o mundo das almas humanas, dentro ou fora de seus corpos, seria professar ideia por demais primitiva sobre a amplitude do Universo. Muito antes do Creador crear seres materiais e seres materiais-espirituais, ele havia creado seres imateriais. Admitir a existência desse mundo imaterial, não é nenhuma superstição, nem mesmo um dogma religioso, é simplesmente um postulado de sensata intuição, ou bom senso.
Por outro lado, é certo que a alma humana, uma vez que é imaterial, não morre com o corpo e exige, pela sua própria natureza, uma existência imortal.
Por isso, inúmeros fatos, tanto da história profana como da história religiosa da humanidade (a Bíblia está repleta desses casos), provam a possibilidade de uma intervenção na vida humana, tanto dos seres não humanos, como das almas humanas separadas dos seus corpos. Negar essa possibilidade e estes fatos, equivaleria a cancelar da multimilenária epopeia da humanidade, alguns dos capítulos mais importantes e decisivos; seria arrasar os próprios alicerces do Cristianismo.
Nada disto negamos, quando tentamos reduzir a fatores naturais certos fenômenos misteriosos, atribuídos, não raro, a intervenção de seres sobrenaturais.
Não nos esqueçamos de que a "ordem natural" não é apenas um pequenino segmento da gigantesca esfera acessível às experiências do homem. O que sabemos da chamada "ordem natural" não representa talvez a milésima parte da totalidade dos fatores naturais. As maravilhas da eletrônica, que hoje são perfeitamente naturais, teriam pertencido, para um cientista da idade média, à ordem sobrenatural. Se tal maravilha é possível ao nível puramente físico e mecânico, que diríamos do plano psíquico e espiritual?
Onde principia o mundo do espírito, ali se abrem ilimitadas possibilidades. Se ao menos soubéssemos o que é "alma", "espírito", talvez teríamos a chave para esses mistérios, um "fio de Ariadne" que da escuridão deste labirinto nos conduzisse ao encontro da luz - mas nenhum homem sabe dizer na realidade o que é alma ou espírito.
Vamos simbolizar da seguinte maneira a fragilidade e a insignificância dos nossos conhecimentos; o vagalume e o molusco: se o vagalume pudesse raciocinar, tomaria a sua luz fosfórea pela totalidade da luz cósmica, e o molusco das profundezas oceânicas, negaria a existência de outros mundos que não fosse aquela lama em que vive a sua existência. Em face dos mundos espirituais, o homem talvez não seja mais que um vagalume ou um molusco dentro da pequenez da sua concha.
Por isso, a única atitude sensata que nos compete em face do cosmos invisível é a de uma grande humildade e prudência em afirmar ou negar o que ultrapassa os horizontes da nossa experiência ou dos nossos conhecimentos racionais.
O homem ignorante ou pseudo sábio, categoricamente afirma as suas teses - e aquele que não ignora a sua ignorância, preenche com de pontos de interrogação as suas hipóteses e teorias muitas vezes duvidosas.
Só o Creador, a Fonte primária é que pode estabelecer teses evidentes e afirmações categóricas. O que oscila entre esses dois polos extremos, entre a luz do saber e a treva da ignorância, é dúvida, incerteza, um tatear na penumbra, um incessante adivinhar, um suspeitar de soluções possíveis ou prováveis, um "talvez", mas nunca um "sim" ou um "não" de certeza absoluta.
O sábio sabe que nada sabe - o ignorante ignora que nada sabe...
A convicção da ignorância é uma porta aberta para o conhecimento.
É necessário, antes de tudo, que abandonemos a concepção tradicional de que a alma humana resida dentro do corpo como num cárcere, ou como água dentro de um copo. Essa ideia invadiu o Cristianismo nos primeiros séculos de nossa era e é por isso, responsável por muitas conclusões falsas. A alma não está dentro do corpo, mas sim o corpo, dentro da alma. O maior não pode estar contido no menor, a energia sutil não está inserida na energia grosseira, i.e., a alma, se está no corpo, está como a luz elétrica está dentro da lâmpada de vidro. No entanto, a luz ultrapassa os limites do vidro, espraiando-se geralmente por enormes distâncias e enchendo vastos espaços com a sua luminosidade. Não seria exato afirmar que toda essa luz está dentro do pequeno globo de vidro, e sim que esse globo de vidro está dentro da luz.
Assim, com essa imagem figurada, temos que pensar a presença de nossa alma em, ou com o nosso corpo.
Os objetos que circundam o corpo podem ser atingidos pela alma, e, se esta encontrar um veículo ou instrumento apropriado, pode influenciar perceptivelmente os objetos circunvizinhos. Se a luz solar clareia e aquece a vida e a matéria, porque não poderia um poderoso foco espiritual afetar os seres próximos e distantes, sem por isto abandonar o corpo que lhe serve de meio?
O Universo material-espiritual é um todo orgânico. Não há no mundo, seres isolados, como as vezes nos parece. Todos os seres do Universo estão inter-relacionados e interdependentes.
Certos teólogos inventaram a ordem natural e a sobrenatural, mas elas não existem. A Realidade é uma e unificada, constando de uma causa e muitos efeitos. Deus não é sobrenatural, mas infinitamente natural - e é esta a razão porque as creaturas finitas tem dificuldade de compreender o Creador. O que nós chamamos sobrenatural não está além da ordem natural, mas além do alcance que nós temos dessa ordem. Na nossa visão terrena, existem seres sobrenaturais; mas na visão do Creador, só existem seres naturais.
Somente quando experimentarmos, é que poderemos compreender a unidade do Universo, causa original causadora de efeitos, compreenderemos o que hoje nos é incompreensível.
Possivelmente, nos vastos horizontes de Einstein, esse brilhante cientista-místico, é que lhe ocorreu fazer a seguinte afirmação: "Ciência natural sem religião é manca - religião sem ciência é cega"!

Texto revisado, precedido de comentários e extraído do livro Por Um Ideal – volume I

Saturday, 1 February 2020

MAHATMA GANDHI, the Mystical-Political Paradox

At 5:17 pm on January 30, 1948, Gandhi was walking with his nieces to a prayer meeting when he was killed by a Hindu nationalist.

A few moments later, a living legend succumbs, for the glory of living as a spiritual legend for humanity. He was 78 years old.

"Historians of the future, I believe, will regard this 20th century not as that of the atomic era, but as that of the Gandhi era." Wrote E. Easwaran, one of his biographers.

“A conductor of his people, not supported by any external authority; a politician whose victory is not based on cunning or techniques of professional politics, but only on the dynamic conviction of his personality; a man of wisdom and humility endowed with invincible perseverance, who strives to assure his people a better fate; a man who faces the brutality of the British empire with the dignity of a simple man, and therefore has become a superior man - future generations will hardly comprehend that lived on earth, in flesh and blood, a man like this... the greatest man of our century.” - I believe that Gandhi’s views were the most enlightened of all the political men of our time. We should strive to do things in his spirit: not to use violence in fighting for our cause, but by non-participation in anything we believe is evil.” Albert Einstein

A "Great Soul", and whose life was entirely Christlike, although he was not officially a Christian. His greatness is not that he was a great mystic or that he was a skilled politician. It is to have balanced in his soul two worlds that are almost always unbalanced in other men - prayer and action. With the Gandhi phenomenon, the history of humanity entered a new phase of evolution. Today's world has not yet understood the greatness of this man ... these are the words of Huberto Rohden.

The spring of this 21st century lives under the gloomy winter of past centuries in human history, where multitudes are still dragging through the barren valleys of mediocrity; valleys and precipices where the ephemeral peace of armistice only reigns between the constant wars provoked by human greed and selfishness. However, overcoming all the vicissitudes, a man emerged who climbed The Himalayas! And with this positive future perspective, where the same can happen to many, it provides, although melancholy, the vision that one day the environment on the earth can be inhabited by beings who rise to the heights of higher knowledge and Peace.

In a beautifully illustrated edition of the 1950s of almost 400 pages, the book “MAHATMA GANDHI, the Apostle of Non-Violence” by the Brazilian philosopher, educator and theologian, Huberto Rohden, traces a philosophical profile of Gandhi's personality and even indicating the path to reach the same level of consciousness that the Hindu master reached. Added to these writings, opinions of other famous characters of the history about this great soul that was Mohandas Karamchand Gandhi and other information.

The excerpt below is part of the introduction to this book and is a tribute to the 72 years of Mahatma's death.


“Humanity knows some mystics and many politicians - but a mystic-politician or a politician-mystic is something very strange and, at first sight, impossible. The mystic deals with the things of God and the spiritual world; the politician deals with the things of men and the material world - is it possible that, within the same human individual, these two worlds, so distant and so antagonistic, harmonize?

If cosmic monism were not a postulate of logic, if we did not comprehend that there can be only one eternal principle of all things, be it on material or spiritual level, we would be willing to profess Zoroastrian dualism and deny the compatibility of elements as incompatible as mysticism and politics.

In ordinary people, with narrow internal spaces, there can, in fact, be no friendship and harmony between the God of the world and the world of God.

When a man appears with vast internal spaces; where a whole planetary system can rotate freely, without collisions or catastrophes, around a single sun, which all illuminate and vitalizes, then a dynamic tension forms within this system, which, to maintain balance, must intensify its centripetal force in direct proportion to its centrifugal force, in order to establish a cosmos that does not succumb to chaos. But every now and then a cosmic man of that nature appears, a man who balances extremes and synthesizes seemingly irreconcilable antitheses.

Gandhi's greatness is not that he was a great mystic, nor that he was a skilled politician - it is that he has balanced in his soul two worlds that are almost always unbalanced in other men.

Politics is worth what it gives or accomplish. The mystique is worth what it receives and what it is. Politics is considered active - mystics are said to be passive; in politics, activity is generally maximum, to the point of sterilizing its passivity. In the mystical the passivity is maximum and that although the activity is minimal, it is not sterile.

The balance lies in being dynamically passive, or passively dynamic - that is, therefore, the central problem of human life, the secret of its greatness and happiness and the supreme source of its realizing force within humanity.

The mediocre, active man lives in the collective hallucination that his human ego does the great things in the world; which is his intelligence and cunning, his money, his scholarship, his incessant social, commercial, industrial, political, diplomatic struggle, that these factors be the real and main cause of the things he does or tries to do. And if someone tells that, behind all these ponderable and palpable elements of noisy activity, there is an imponderable and intangible element that, in the final analysis, is the initial and profound source of everything that happens in his life, this dynamic man shakes his head in disbelief, and considers a poet, philosopher or mystic, or at least not practical, the man who utters such strange things. This man ignores what is dynamic passivity or creative serenity. He is not aware of the immense reservoir of cosmic forces, that invisible ocean that expands, immeasurable, mysterious and infinite, beyond all horizons of physical-mental perception. For him, there are only the small streams that spring from his well-known ego, running to nowhere. This mediocre and short-sighted man does not even suspect that this stream of his feverish activity goes to the silent sea, where it came from.

Gandhi was of vast activity and profound passivity, and everything he gave to his fellow-men, horizontally, received from God, vertically. For this reason, meditations on Monday, the Day of Silence on Thursday, where he only communicated in writing, was the most important thing for him since it was the silent springs of his dynamic passivity that fed the noisy rivers of his ceaseless activity.

The people gave Gandhi the name "mahatma", that is, "great soul" because they intuitively felt that, in addition to the scenario of his visible human achievements, there were mysterious regions of invisible divine realities - and his greatness was precisely in constant connection between his visible world and the invisible world; all his foreign policy was based on his internal mystics. It is easy to work in the visible world - the vast majority of profane men lives solely on that level. Difficult is to contemplate the invisible world, far from all visible worlds, like mystical ascetics.

Many are unclean among the unclean. Few are those who live pure. Very few manage to live pure among the impure. The latter the true "mahatmas", the great souls, the cosmic men, fully realized. The supreme goal of the Gospel of Jesus is the creation of these men, of these “new creatures in Christ”.

India has always been the country of yogis, ascetics, mystics, masters of renunciation and spirituality. Gandhi also founded his spiritual retreat colony. It was a kind of farm where numerous people of disciplined life and without individual property lived. Mental concentration and spiritual contemplation; abstaining from meat and alcoholic beverages; manual and agricultural work; worship meetings - all of this was observed Gandhi’s ashram, and he himself was a kind of patriarch of that community.

So far, nothing special; all of this had been practised for centuries and millennia in India.

It happens, however, that this solitary mystic appears in palaces of kings and heads of states, in the great European courts; take part in political debates around national and international problems; stir up issues of great relevance; because this man is a skilled lawyer, graduated from the University of London, who knows and uses all the dialectic of lawyers and has all the insight of great statesmen. And in his own country, he appears in the National Congress and pleads, against a powerful empire, for the political emancipation of 430 million enslaved countrymen; but he does not use any of the material weapons his antagonists use. He replaced the weapon with the soul. This man does not accumulate money for himself; he lives in extreme poverty and simplicity, nourishing himself with a few fruits and the raw milk of a goat, which was not even his. He wears a loincloth and walks barefoot, or in sandals, even in the salons of European tycoons, who nicknamed him "half-naked fakir". Through the hands of this strange man, as solitary with God as in solidarity with men, immense fortunes passed - but he has no residence and spent only a few cents a day to his maintenance.

For fifty years, surrounded by the filthiest international politics and diplomacy, this man has not strayed from his line of absolute truth and sincerity; does not allow shady manoeuvres; knows no game behind the scenes. Maximum defender of his people’s freedom, he admits a single tyranny for himself: unconditional obedience to his silent inner voice, as he calls the voice of conscience.

Gandhi’s enigma is as diaphanous as sunlight - and as mysterious as a starry night. Always solitary in God, he never ceases to be in solidarity with men.

With the Gandhi phenomenon, human history has entered a new phase of evolution. Finally, it is proven that these two things considered incompatible are compatible, the most intense inner mystics and the most extensive external dynamics. This man accomplished in his life the great synthesis of spirit and matter, fire and water. In him, the Word became flesh!

With this example, the materialist no longer has a justification for his lack of spirituality - and the spiritualist no longer has the right to defect from the material world. The great synthesis was carried out, and what was possible once in India is possible everywhere. Mahatma is not from India, nor from the East - he is from the world and humanity.

In times past, when a man had his contact with God, the first step was to become free of all things of the world; to abandon the world of God to live in God alone. The culmination of ascetic life was the desertion of the world.

With Gandhi, a new form of asceticism appears - the asceticism of liberation, replacing and perfecting the asceticism of desertion. Whoever deserts material things shows goodwill - but does not prove true comprehension.

From a man who expects nothing from the world, everything the world can hope for.

But there is, in addition to the dynamically active and the statically passive man, a third alternative, which is the dynamically passive or passively dynamic man. With this qualification, we designate the cosmic man, that very rare man who, after identifying himself with his divine Self, starts to manifest his mystical implosion in a vast ethical explosion, overflowing his divine experience in human experience. Since man has attained the awareness of the unique paternity of God, he is in a position to realize the universal brotherhood of men. And in this case, ethics is not just morality, which can exist even without mystical experience; but its external action will be the spontaneous overflow, an irresistible explosion of his intense mystical implosion.

When someone suggested to Gandhi the idea of leaving the profane world of politics and retreating into a cave to live as a mystic, he replied: "I bring this cave inside me". Whoever manages to transfer this cave into its interior, taking refuge in that sanctuary when it feels the need, has reached the culmination of its liberation, of the "glorious freedom of the children of God". But for anyone to attain that freedom, it must voluntarily submit to the greatest tyranny, "tyranny of the silent voice from within", and pay unconditional obedience to the divine dictator of conscience. This is the "narrow path and the tight door that leads to the kingdom of God". So that the widest freedom presupposes the most complete tyranny - voluntary tyranny.

"The Truth" - writes Gandhi - "is hard as a diamond, but it is also delicate as a peach blossom". Whoever does not voluntarily accept the harshness of Truth, will not get to enjoy the delicacy of the peach blossom. Fully free is only one who voluntarily enslaves himself. And this spontaneous slavery refers not only to God but also to men, our fellow men; to serve voluntarily is to be free. Nothing more enslaving than the desire to "want to be served" - nothing more liberating than the desire to want to serve! Whoever is not a voluntary slave cannot be a free man - this strange paradox characterizes Gandhi's life. So great is this man's inner freedom that he becomes, outwardly, a slave to his countrymen, a slave to the British invader, a slave to the whole of humanity.

Whoever does not feel free should avoid serving others and should assume an air of domination, because where essence is lacking, the appearance must prevail. But whoever bears the testimony of its freedom within itself, can be the servant of all, because this freedom does not need to be supported with pseudo-freedoms. Whoever is wise can admit the appearance of a fool, but the fool must carefully avoid these appearances and assume the appearance of a sage so that its pseudo wisdom does not succumb to the impact of its ignorance.

Today's world has not yet comprehended the true greatness of Gandhi, undoubtedly one of the most authentic disciples that Jesus had among men in these more than two millennia of the Christian era. But the spirit of the Mahatma is working on human consciences, like divine leaven, slowly leavening the profane mass and preparing the way for the great Christlike dawn.

MAHATMA GANDHI, el Paradojo místico-político

A las 5:17 de la tarde, 30 de enero/1948, Gandhi caminaba con sus sobrinas a una reunión de oración cuando fue asesinado por un nacionalista hindú.

Unos momentos más tarde, una leyenda viviente sucumbe, para la gloria de vivir como una leyenda espiritual para la humanidad. Tenía 78 años de edad.

“Los historiadores del futuro, creo, considerarán este siglo XX no como el de la era atómica, sino como el de la era de Gandhi”, escribió E. Easwaran, uno de sus biógrafos.

“Un conductor de su gente, no respaldado por ninguna autoridad externa; un político cuya victoria no se basa en técnicas de política astutas o profesionales, sino solo en la convicción dinámica de su personalidad; un hombre de sabiduría y humildad, dotado de invencible perseverancia, que usa todas sus fuerzas para garantizarle mejor suerte a su pueblo; un hombre que enfrenta la brutalidad de Inglaterra con la dignidad de un hombre simple, y por eso se convirtió en un hombre superior; las generaciones futuras difícilmente entenderán que tal hombre vivió en la tierra, en carne y hueso”. “Creo que las opiniones de Gandhi fueron las más ilustradas de todos los políticos de nuestro tiempo. Debemos esforzarnos por hacer las cosas en su espíritu: no usar la violencia en la lucha por nuestra causa, sino no participar en nada que se cree que es malo”. Albert Einstein

Una "Gran Alma", y cuya vida era completamente crística, aunque no era oficialmente cristiano. Su grandeza no es que haya sido un gran místico o que haya sido un político experto. Es haber equilibrado en su alma dos mundos que casi siempre están desequilibrados en otros hombres: la oración y la acción. Con el fenómeno de Gandhi, la historia de la humanidad entró en una nueva fase de evolución. El mundo de hoy aún no ha entendido la grandeza de este hombre ... estas son las palabras de Huberto Rohden.

La primavera de este siglo XXI vive bajo el sombrío invierno de siglos pasados en la historia humana, donde multitudes todavía se arrastran por los valles estériles de la mediocridad; valles y precipicios donde la paz efímera de los armisticios solo reina entre las constantes guerras provocadas por la codicia humana y el egoísmo. Sin embargo, superando todas las vicisitudes, ¡surgió un hombre que subió al Himalaya! Y con esta perspectiva positiva del futuro, donde lo mismo puede sucederles a muchos, proporciona, aunque melancólica, la visión de que un día el medio ambiente de la tierra puede ser habitado por seres que se elevan a las alturas del conocimiento superior y la Paz.

En una hermosa edición ilustrada de la década de 1950 de casi 400 páginas del libro “MAHATMA GANDHI, el Apóstol de la No Violencia”, el filósofo, educador y teólogo brasileño, Huberto Rohden, traza un perfil de la personalidad de Gandhi, filosóficamente hablando, incluyendo en estos escritos, opiniones de otros personajes famosos de la historia sobre esta gran alma que fue Mohandas Karamchand Gandhi.


El extracto a continuación es parte de la introducción a este libro y es un tributo a los 72 años de la muerte de Mahatma.

En una hermosa edición ilustrada de la década de 1950 de casi 400 páginas, el libro “MAHATMA GANDHI, el Apóstol de la No Violencia” del filósofo, educador y teólogo brasileño, Huberto Rohden, traza un perfil filosófico de la personalidad de Gandhi e incluso indica el camino para alcanzar el mismo nivel de conciencia que alcanzó el maestro Indú. Sumado a estos escritos, opiniones de otros personajes famosos de la historia sobre esta gran alma que fue Mohandas Karamchand Gandhi y otra información.


“La humanidad conoce a algunos místicos y muchos políticos, pero un político-místico, o un místico-político, es algo muy extraño y, a primera vista, imposible. El místico trata con las cosas de Dios y el mundo espiritual; el político se ocupa de las cosas de los hombres y del mundo material. ¿Es posible que, dentro del mismo individuo humano, estos dos mundos, tan distantes y aparentemente tan antagónicos, se armonicen?

Si el monismo cósmico no fuera un postulado de la lógica, si no entendiéramos que solo puede haber un principio eterno de todas las cosas, ya sea a nivel material o espiritual, estaríamos dispuestos a profesar el dualismo zoroástrico y negar la compatibilidad de elementos tan incompatibles como mística y política.

En la gente común, con espacios internos estrechos, de hecho, no puede haber amistad y armonía entre el Dios del mundo y el mundo de Dios.

Cuando aparece un hombre con vastos espacios internos; donde todo un sistema planetario puede rotar libremente, sin colisiones ni catástrofes, alrededor de un solo sol, que todo ilumina y vitaliza, entonces se forma una tensión dinámica dentro de este sistema que, para mantener el equilibrio, debe intensificar su fuerza centrípeta en proporción directa a su fuerza centrífuga, para establecer un cosmos que no sucumbe al caos. Pero de vez en cuando aparece un hombre cósmico de esa naturaleza, un hombre que equilibra los extremos y sintetiza antítesis aparentemente irreconciliables.

La grandeza de Gandhi no es que haya sido un gran místico, ni que haya sido un político hábil, es que ha equilibrado en su alma dos mundos que casi siempre están desequilibrados en otros hombres.

La política vale por lo que ofrece o logra. La mística vale por lo que recibe y lo que es. La política se considera activa: se dice que la mística es pasiva; en política, la actividad es generalmente máxima, hasta el punto de esterilizar su pasividad. En lo místico, la pasividad es máxima y, aunque la actividad es mínima, no es estéril.

El equilibrio radica en ser dinámicamente pasivo o pasivamente dinámico; ese es, por lo tanto, el problema central de la vida humana, el secreto de su grandeza y felicidad y la fuente suprema de su fuerza de realización dentro de la humanidad.

El hombre mediocre y activo vive en la alucinación colectiva de que su ego humano hace las grandes cosas del mundo; que es su inteligencia y astucia, su dinero, su erudición, su incesante lucha social, comercial, industrial, política, diplomática, que estos factores sean la causa real y principal de las cosas que hace o intenta hacer. Y si alguien le dice que, detrás de todos estos elementos ponderables y palpables de su actividad ruidosa, hay un elemento imponderable e intangible que, en el análisis final, es la fuente inicial y profunda de todo lo que realmente sucede en su vida, este hombre dinámico sacude la cabeza con incredulidad y considera poeta, filósofo o místico, o al menos no práctico, el hombre que pronuncia cosas tan extrañas. Este hombre ignora lo que es pasividad dinámica o serenidad creativa. No es consciente de la inmensa reserva de fuerzas cósmicas, ese océano invisible que se expande, inconmensurable, misterioso e infinito, más allá de todos los horizontes de la percepción físico-mental. Para él, solo existen las pequeñas corrientes que brotan de su conocido ego, corriendo no se sabe dónde. Este hombre mediocre y miope ni siquiera sospecha que esta corriente de su febril actividad va al mar silencioso, de donde vino.

Gandhi era de gran actividad y profunda pasividad, y todo lo que daba a sus semejantes, horizontalmente, recibía de Dios, verticalmente. Por esta razón, la meditación del lunes, el día de silencio del jueves, donde solo se comunicaba por escrito, era lo más importante para él, ya que eran las fuentes silenciosas de su pasividad dinámica las que alimentaban los ruidosos ríos de su incesante actividad

La gente le dio a Gandhi el nombre de “mahatma”, es decir, “gran alma”, porque intuitivamente sintieron que, además del escenario de sus logros humanos visibles, había regiones misteriosas de realidades divinas invisibles, y su grandeza estaba precisamente en conexión constante entre su mundo visible y el mundo invisible; toda su política exterior se basó en su mística interna. Es fácil trabajar en el mundo visible: la mayor parte de la humanidad profana vive únicamente en ese plano. Es difícil contemplar el mundo invisible, lejos de todos los mundos visibles, como los ascetas místicos.

Muchos son los impuros entre los impuros. Pocos son los que viven puros. Muy pocos logran vivir puros entre los impuros. Estos últimos son los verdaderos “mahatmas”, las grandes almas, los hombres cósmicos, plenamente realizados. La meta suprema del Evangelio de Jesús es la creación de estos hombres, de estas “nuevas criaturas en Cristo”. 

India siempre ha sido el país de los yoguis, ascetas, místicos, maestros de la renuncia y la espiritualidad. Gandhi también fundó su colonia de retiro espiritual. Era una especie de hacienda donde vivían numerosas personas de vida disciplinada y sin propiedad individual. Concentración mental y contemplación espiritual; abstenerse de carne y bebidas alcohólicas; trabajo manual y agrícola; reuniones de culto: todo esto se observó en la colonia Gandhi, y él mismo era una especie de patriarca de esa comunidad.

Hasta ahora, nada especial; todo esto se había practicado durante siglos y milenios en la India.

Sucede, sin embargo, que este místico solitario aparece en palacios de reyes y jefes de estado, en las grandes cortes europeas; participa en debates políticos sobre problemas nacionales e internacionales; agita temas de gran relevancia; porque este hombre es un abogado experto, graduado de la Universidad de Londres, que conoce y utiliza toda la dialéctica de los abogados y tiene toda la perspicacia de los grandes estadistas. Y en su propio país, aparece en el Congreso Nacional y aboga, contra un imperio poderoso, por la emancipación política de 430 millones de compatriotas esclavizados; pero él no usa ninguna de las armas materiales que usan sus antagonistas. Reemplazó el arma con el alma. Este hombre no acumula dinero para sí mismo; vive en extrema pobreza y simplicidad, alimentándose con unas pocas frutas y la leche cruda de una cabra, que ni siquiera era suya. Lleva pantalones cortos y camina descalzo, o con sandalias, incluso en los salones de magnates europeos, que lo apodaron "faquir semidesnudo". A través de las manos de este extraño hombre, tan solitario con Dios como solidario con los hombres, inmensas fortunas pasaron, pero él mismo no tiene residencia y solo gastó unos pocos centavos al día para mantenerse.

Durante cincuenta años, rodeado de la política internacional y la diplomacia más sucias, este hombre no se ha desviado de su línea de verdad y sinceridad absolutas; no permite maniobras sombrías; no conoce ningún juego detrás de escena. Máximo defensor de la libertad de su pueblo, admite una sola tiranía para sí mismo: la obediencia incondicional a su silenciosa voz interior, como la llama la voz de la conciencia.

El enigma de Gandhi es tan diáfano como la luz del sol, y tan misterioso como una noche estrellada. Siempre solitario en Dios, nunca deja de ser solidario con los hombres.

Con el fenómeno de Gandhi, la historia humana ha entrado en una nueva fase de evolución. Finalmente, está comprobado que estas dos cosas consideradas incompatibles son compatibles, la mística interna más intensa y la dinámica exterior más extensa. Este hombre logró en su vida la gran síntesis de espíritu y materia, fuego y agua. ¡En él, la Palabra se hizo carne!

Con este ejemplo, el materialista ya no tiene una justificación para su falta de espiritualidad, y el espiritualista ya no tiene derecho a desertar del mundo material. La gran síntesis se llevó a cabo, y lo que fue posible una vez en India es posible en todas partes. Mahatma no es de la India, ni de Oriente: es del mundo y de la humanidad.

En tiempos pasados, cuando un hombre tenía su contacto con Dios, el primer paso era deshacerse de todas las cosas del mundo para siempre; abandonar el mundo de Dios para vivir en Dios fuera del mundo. La culminación de la vida ascética fue la deserción del mundo.

Con Gandhi aparece una nueva forma de ascetismo: el ascetismo de la liberación, reemplazando y perfeccionando el ascetismo de la deserción. Quien abandona las cosas materiales muestra buena voluntad, pero no demuestra una verdadera comprensión.

¿Por qué te escapas?

Porque se siente débil y tiene miedo de caerse; pero el miedo es esclavizante. Totalmente libre es solo el hombre que, después de consolidarse definitivamente en el mundo espiritual, regresa al mundo material sin materializarse; su reino no es de aquí, pero todavía trabaja aquí, como si fuera el más profano de los profanos. Solo un hombre completamente espiritual puede admitir apariencias de materialidad sin negar su espiritualidad.

De un hombre que no espera nada del mundo, todo puede el mundo esperar.

Pero existe, más para allá del hombre dinámicamente activo y estáticamente pasivo, una tercera alternativa, que es el hombre dinámicamente pasivo o pasivamente dinámico. Con esta calificación, designamos al hombre cósmico, ese hombre muy raro que, después de identificarse totalmente con su Yo esencial divino, comienza a manifestar su implosión mística en una vasta explosión ética, desbordando su experiencia divina en la experiencia humana. Una vez que el hombre ha alcanzado la conciencia de la paternidad única de Dios, está en condiciones de darse cuenta de la hermandad universal de los hombres. Y en este caso, la ética no es solo moralidad, que puede existir incluso sin experiencia mística; pero su acción externa será el desbordamiento espontáneo, la explosión irresistible de su intensa implosión mística.

Cuando le sugirieron a Gandhi la idea de abandonar el mundo profano de la política y retirarse a una cueva para vivir como un místico, él respondió: “Traigo esta cueva dentro de mí”. Quien logra transferir la “cueva” externa de los místicos a su interior, refugiándose en ese santuario cuando siente la necesidad, esto llegó a la culminación de su liberación, la "gloriosa libertad de los hijos de Dios". Pero para que cualquiera pueda alcanzar esa libertad, deben someterse voluntariamente a la mayor tiranía, “la tiranía de la voz silenciosa desde adentro”, y pagar obediencia incondicional al dictador divino de conciencia. Este es el “camino angosto y la puerta apretada que conduce al reino de Dios”. Para que la libertad más amplia presupone la tiranía más completa: la tiranía voluntaria.

“La verdad”, escribe Gandhi, “es dura como un diamante, pero también es delicada como una flor de durazno”. Quien no acepte voluntariamente la dureza de la Verdad, no podrá disfrutar de la delicadeza de la flor de durazno. Totalmente libre es solo uno que se esclaviza voluntariamente. Y esta esclavitud espontánea se refiere no solo a Dios, sino también a los hombres, nuestros semejantes; servir voluntariamente es ser totalmente libre. Nada más esclavizante que el deseo de “querer ser servido”, ¡nada más liberador que el deseo de querer servir! Quien no sea un esclavo voluntario no puede ser un hombre libre: esta extraña paradoja caracteriza la vida de Gandhi. Tan grande es la libertad interior de este hombre que, externamente, se convierte en esclavo de sus compatriotas, esclavo del invasor británico, esclavo de toda la humanidad.

Quien no se sienta libre debe evitar servir a los demás y asumir un aire de dominación, porque donde falta la esencia, debe prevalecer la apariencia. Pero quien da testimonio de su libertad dentro de sí mismo, puede ser el servidor de todos, porque su libertad no necesita ser apoyada con pseudo libertades. Quien sea sabio puede admitir la apariencia de un tonto; pero el tonto debe evitar cuidadosamente estas apariencias y asumir la apariencia de un sabio para que su pseudo sabiduría no sucumba al impacto de su ignorancia.
El mundo de hoy todavía no ha entendido la verdadera grandeza de Gandhi, sin duda uno de los discípulos más auténticos que Jesús tuvo entre los hombres en estos más de dos milenios de la era cristiana. Pero el espíritu del Mahatma está trabajando en las conciencias humanas, como la levadura divina, lentamente fermentando la masa profana y preparando el camino para el gran amanecer crístico.

MAHATMA GANDHI, o Paradoxo Místico-Político

Às 17h17 do dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi caminhava com suas sobrinhas em direção à uma reunião de oração, quando foi morto por um nacionalista hindu.

Poucos momentos depois, sucumbe uma legenda viva, para a glória de viver como legenda espiritual para a humanidade. Ele tinha 78 anos de idade.

“Os historiadores do futuro, acredito, considerarão este século XX não como o da era atômica, mas como o da era de Gandhi”, escreveu E. Easwaran, um de seus biógrafos.

“Um condutor de seu povo, não apoiado em qualquer autoridade externa; um político cuja vitória não se baseia em astúcias nem técnicas de política profissional, mas unicamente na convicção dinâmica de sua personalidade; um homem de sabedoria e humildade, dotado de invencível perseverança, que empenha todas as suas forças para garantir a seu povo uma sorte melhor; um homem que enfrenta a brutalidade da Inglaterra com a dignidade de um homem simples, e por isso se tornou um homem superior – futuras gerações dificilmente compreenderão que tenha vivido na terra, em carne e osso, um homem como esse.” – “Acredito que as opiniões de Gandhi foram as mais esclarecidas de todos os políticos do nosso tempo. Devemos nos esforçar para fazer as coisas em seu espírito: não usar de violência na luta pela nossa causa, mas pela não participação em qualquer coisa que se acredite ser má.” Albert Einstein

Uma “Grande Alma”, e cuja vida era inteiramente crística, embora ele não tenha sido oficialmente cristão. A sua grandeza não está em ter sido um grande místico e nem em ter sido um hábil político. Está em ter equilibrado em sua alma dois mundos quase sempre desequilibrados em outros homens – oração e ação. Com o fenômeno Gandhi a história da humanidade entrou numa nova fase de evolução. O mundo de hoje não compreendeu ainda a grandeza desse homem ... são palavras de Huberto Rohden.

A primavera deste século XXI vive sob o inverno sombrio dos séculos passados da história humana, por onde ainda se arrastam multidões pelos vales estéreis da mediocridade; vales e precipícios onde a paz efêmera dos armistícios só reina entre as constantes guerras provocadas pela ganância e egoísmo humano. Entretanto, superando todas as vicissitudes, surgiu um homem que galgou o Himalaia! E com essa perspectiva positiva futura, onde o mesmo possa acontecer com muitos, fornece, apesar de melancólica, a visão de que um dia o ambiente na face da terra possa ser habitado por seres que sobem às alturas do conhecimento superior e da Paz.

Em uma bela edição ilustrada dos anos 50 de quase 400 páginas, o livro “MAHATMA GANDHI, o Apóstolo da Não-Violência” do filósofo, educador e teólogo brasileiro, Huberto Rohden, traça um perfil filosófico da personalidade de Gandhi e indicando inclusive o caminho a seguir para chegar no mesmo nível de consciência que o mestre Indú atingiu. Adiciona-se a esses escritos, opiniões de outras famosas personagens da história sobre essa grande alma que foi Mohandas Karamchand Gandhi e outras informações.


“A humanidade conhece alguns místicos e muitos políticos – mas um místico-político, ou um político-místico, é algo muito estranho e, à primeira vista, impossível. O místico trata das coisas de Deus e do mundo espiritual; o político trata das coisas dos homens e do mundo material – será possível que, dentro do mesmo indivíduo humano, se harmonizem esses dois mundos, tão distantes e, aparentemente, tão antagônicos? 

Se o monismo cósmico não fosse um postulado da lógica, se não compreendêssemos que só pode haver um único princípio eterno de todas as coisas, seja ao nível material ou espiritual, estaríamos dispostos a professar dualismo zoroastriano e negar a compatibilidade de elementos tão incompatíveis como a mística e a política.

No homem comum, de estreitos espaços internos, não pode, de fato, haver amizade e harmonia entre o Deus do mundo e o mundo de Deus. 

Quando aparece um homem de vastíssimos espaços internos; onde todo um sistema planetário pode girar livremente, sem colisões nem catástrofes, em torno de um único sol, que tudo ilumina e vitaliza, se forma então no interior desse sistema, uma tensão dinâmica que, para manter o equilíbrio, tem que intensificar a sua força centrípeta na razão direta da sua força centrífuga, a fim de estabelecer um cosmos que não sucumba ao caos. Mas de vez em quando aparece um homem cósmico dessa natureza, um homem que equilibra extremos e sintetiza antíteses aparentemente inconciliáveis. 

A grandeza de Gandhi não está em ter sido um grande místico, nem em ter sido um hábil político – está em ter equilibrado em sua alma dois mundos quase sempre desequilibrados em outros homens.

A política vale pelo que dá ou realiza. A mística vale pelo que recebe e pelo que é. A política é considerada ativa – a mística tem fama de ser passiva; no político, a atividade é geralmente máxima, a ponto de esterilizar a sua passividade. No místico é máxima a passividade e que apesar de mínima a atividade, ela não é estéril.

O equilíbrio está em ser dinamicamente passivo, ou passivamente dinâmico – eis portanto, o problema central da vida humana, o segredo da sua grandeza e felicidade e a fonte suprema da sua força realizadora no seio da humanidade.

O homem medíocre, ativo, vive na alucinação coletiva de que o seu ego humano é que realiza as grandes coisas no mundo; que é a sua inteligência e astúcia, o seu dinheiro, a sua erudição, a sua incessante luta social, comercial, industrial, política, diplomática, que estes fatores sejam a causa real e principal das coisas que ele realiza ou tenta realizar. E se alguém lhe disser que, por detrás de todos esses elementos ponderáveis e palpáveis da sua ruidosa atividade, há um elemento imponderável e intangível que, em última análise, é a fonte inicial e profunda de tudo quanto de realmente grande acontece em sua vida, esse homem dinâmico balança a cabeça incrédulo, e considera poeta, filósofo ou místico, ou pelo menos nada prático, o homem que tão estranhas coisas profere. Esse homem ignora o que seja passividade dinâmica ou serenidade criadora. Não tem consciência do imenso reservatório de forças cósmicas, esse invisível oceano que se alarga, incomensurável, misterioso e infinito, para além de todos os horizontes da percepção físico-mental. Para ele só existem os pequeninos riachos que brotam do seu conhecido ego, correndo não se sabe para onde. Esse homem medíocre e míope nem sequer suspeita que esse riacho da sua atividade febril vai para o silencioso mar, donde veio. 

Gandhi era de uma vasta atividade e profunda passividade, e tudo que ele dava a seus semelhantes, na horizontal, recebia de Deus, na vertical. Por isso, a meditação na segunda-feira toda, o dia de silêncio na quinta-feira, onde só se comunicava por escrito, eram para ele a coisa mais importante, pois eram as silenciosas nascentes da sua passividade dinâmica que alimentavam os ruidosos rios da sua incessante atividade. 

O povo deu a Gandhi o nome de “mahatma”, isto é, “grande alma”, porque sentia intuitivamente que, para além do cenário das suas visíveis realizações humanas, havia misteriosas regiões de invisíveis realidades divinas – e a sua grandeza estava precisamente na constante ligação do seu mundo visível com o mundo invisível; toda a sua política externa assentava alicerces na sua mística interna. É fácil trabalhar no mundo visível – o grosso da humanidade profana vive unicamente nesse plano. Difícil é contemplar o mundo invisível, longe de todos os mundos visíveis, como os ascetas místicos.

Muitos são os impuros no meio dos impuros. Poucos são os que vivem puros. Pouquíssimos conseguem viver puros no meio dos impuros. Esses últimos são os verdadeiros “mahatmas”, as grandes almas, os homens cósmicos, plenamente realizados. O supremo objetivo do Evangelho de Jesus é a criação desses homens, dessas “novas creaturas em Cristo”.

A Índia foi sempre o país dos iogues, dos ascetas, dos místicos, dos mestres da renúncia e espiritualidade. Gandhi também fundou a sua colônia de retiro espiritual. Era uma espécie de fazenda onde moravam numerosas pessoas de vida disciplinada e sem propriedade individual. Concentração mental e contemplação espiritual; abstenção de carne e bebidas alcoólicas; trabalhos manuais e agrícolas; reuniões de culto – tudo isto se observava na colônia de Gandhi, e ele mesmo era uma espécie de patriarca dessa comunidade.

Até aqui, nada de especial; tudo isso se praticava, havia séculos e milênios, na Índia.

Acontece, porém, que esse místico solitário aparece em palácios de reis e chefes de Estados, nas grandes cortes europeias; toma parte em debates políticos, em torno de problemas nacionais e internacionais; agita questões de grande relevância; porque esse homem é um hábil jurista, formado pela Universidade de Londres, que conhece e usa toda a dialética dos advogados e possui toda a perspicácia dos grandes estadistas. E no seu próprio país, aparece no Congresso Nacional e pleiteia, contra um poderoso império, a emancipação política de 430 milhões de conterrâneos escravizados; mas não usa de nenhuma das armas materiais de que seus antagonistas se servem. Substituiu a arma pela alma. Esse homem não acumula dinheiro para si; vive em extrema pobreza e simplicidade, nutrindo-se de umas poucas frutas e do leite cru de uma cabra, que nem era dele. Veste um calção e anda descalço, ou de sandálias, mesmo nos salões dos magnatas europeus, que o apelidaram de “faquir seminu”. Pelas mãos desse homem estranho, tão solitário com Deus quanto solidário com os homens, imensas fortunas passaram - mas ele mesmo não possui residência e gastava apenas alguns centavos por dia para sua manutenção. 

Por cinquenta anos, cercado da mais imunda política e diplomacia internacional, esse homem não se desvia da sua linha de absoluta verdade e sinceridade; não admite manobras escusas; não conhece jogo por detrás dos bastidores. Defensor máximo da liberdade de seu povo, admite uma única tirania para si mesmo: a obediência incondicional à sua silenciosa voz interior, como ele chama a voz da consciência.

O enigma Gandhi é tão diáfano como a luz solar – e tão misterioso como uma noite estrelada. Sempre solitário em Deus, nunca deixa de ser solidário com os homens.

Com o fenômeno Gandhi, a história da humanidade entrou numa nova fase de evolução. Está provado, finalmente, que são compatíveis essas duas coisas tidas por incompatíveis, a mais intensa mística interior e a mais extensa dinâmica exterior. Esse homem realizou na sua vida a grande síntese do espírito e da matéria, do fogo e da água. Nele, o Verbo se fez carne!

Com esse exemplo, o materialista não tem mais justificativa para sua falta de espiritualidade – e o espiritualista não tem mais o direito de desertar do mundo material. Foi realizada a grande síntese, e o que foi possível uma vez na Índia é possível por toda a parte. O Mahatma não é da Índia, nem do Oriente – ele é do mundo e da humanidade. 

Em tempos passados, quando um homem tinha o seu contato com Deus, o primeiro passo consistia em libertar-se de todas as coisas do mundo; abandonar o mundo de Deus a fim de viver em Deus fora do mundo. O ponto culminante da vida ascética era a deserção do mundo. 

Com Gandhi aparece uma nova forma de ascese – a ascese da libertação, substituindo e aperfeiçoando a ascese da deserção. Quem deserta das coisas materiais mostra boa vontade – mas não prova verdadeira compreensão.

De um homem que nada espera do mundo, tudo pode o mundo esperar. 

Mas há, para além do homem dinamicamente ativo e do estaticamente passivo, uma terceira alternativa, que é o homem dinamicamente passivo ou passivamente dinâmico. Com esta qualificação designamos o homem cósmico, esse homem raríssimo que, depois de se identificar totalmente com o seu Eu divino, passa a manifestar esta sua implosão mística numa vasta explosão ética, transbordando a sua experiência divina em vivência humana. Uma vez que o homem atingiu a consciência da paternidade única de Deus, está em condições de realizar a vivência da fraternidade universal dos homens. E, neste caso, a ética não é apenas moralidade, que pode existir mesmo sem a experiência mística; mas o seu agir externo será o espontâneo transbordamento, a irresistível explosão da sua intensa implosão mística. 

Quando alguém sugeriu a Gandhi a ideia de abandonar o mundo profano da política e retirar-se em uma caverna para viver como místico, ele respondeu: “Eu trago essa caverna dentro de mim”. Quem consegue transferir essa caverna para o seu interior, refugiando-se nesse santuário quando sente necessidade, este atingiu a culminância da sua libertação, da “gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. Mas para que alguém atinja essa liberdade, deve sujeitar-se voluntariamente à maior das tiranias, “tirania da silenciosa voz do interior”, e prestar obediência incondicional ao divino ditador da consciência. É este o “caminho estreito e a porta apertada que conduzem ao reino de Deus”. De maneira que a mais ampla liberdade supõe a mais completa tirania – tirania voluntária. 

“A Verdade” – escreve Gandhi – “é dura como diamante, mas é também delicada como flor de pessegueiro”. Quem não aceitar voluntariamente a dureza da Verdade, não chegará a desfrutar da delicadeza da flor do pessegueiro. Plenamente livre é somente aquele que voluntariamente se escraviza. E essa espontânea escravidão se refere não somente a Deus, mas também aos homens, nossos semelhantes; servir voluntariamente é se libertar totalmente. Nada mais escravizante do que o desejo de “querer-ser-servido” – nada mais libertador do que a vontade de querer servir! Quem não for escravo voluntário não pode ser homem livre – esse estranho paradoxo caracteriza a vida de Gandhi. Tão grande é a liberdade interior desse homem que ele se torna, exteriormente, escravo de seus conterrâneos, escravo do invasor britânico, escravo da humanidade inteira. 

Quem não se sente livre deve evitar servir aos outros e deve assumir ares de dominador, porque onde falta a essência têm que prevalecer a aparência. Mas quem traz dentro de si o testemunho da sua liberdade, pode ser servidor de todos, porque a sua liberdade não necessita ser escorada com pseudoliberdades. Quem é sábio pode admitir aparências de tolo; mas o tolo tem que evitar com cuidado essas aparências e assumir ares de sábio para que a sua pseudo sapiência não sucumba ao impacto da sua ignorância. 

O mundo de hoje não compreendeu ainda a verdadeira grandeza de Gandhi, sem dúvida um dos mais autênticos discípulos que Jesus teve entre os homens nesses mais de dois milênios de era cristã. Mas o espírito do Mahatma está trabalhando as consciências humanas, qual divino fermento, levedando aos poucos a massa profana e preparando o caminho para a grande alvorada crística.

Texto revisado, extraído do livro MAHATMA GANDHI